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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ENTREVISTA MOZINE


Peço desculpas àqueles que entraram neste blog ontem (domingo) para ler a entrevista abaixo, conforme eu havia divulgado. Porém tive alguns contratempos que me impossibilitaram de publicá-la.

A idéia desta entrevista surgiu a partir do momento em que foi lançado o livro UNA GIRA POR SUDAMERICA. Comecei a bolar algumas perguntas para o Merda e enquanto ia pensando nelas, surgiam perguntas também para Os Pedrero, que acabara de lançar um novo cd. A empolgação foi aumentando e já imaginei alguma coisa para o Mukeka di Rato. Quando vi já não se tratava de uma entrevista com alguma banda do Mozine e sim uma entrevista com ele falando de seus projetos em geral. O resultado é esta longa entrevista com uma das pessoas mais ativas da cena hardcore brasileira, seja com suas bandas, seja com seu selo. Idéias malucas que se misturam com seu jeito de ser, de tocar, de falar...


Comentei com você outro dia que havia acabado de lançar o disco novo d’OS PEDRERO e eu o encontrei para download em um blog. Você respondeu que achou que até demorou para alguém disponibilizá-lo em mp3. Você que toca em banda e lança discos, como lida com o mp3, download livre e estas coisas?
MOZINE: Ninguém esta livre, essa porra ta um oba-oba tecnológico, nem segura esse flamengo Allan, ta foda, total out of control, ou vira Adolfo Ritler e prende garoto de 15 anos que colocou pra download ou liga o foda-se e seja o que Deus quiser.


A DECKDISC, gravadora que lança os discos do MUKEKA DI RATO, parece ser uma gravadora que lida bem com as variáveis mp3/internet/download, pois apresenta algumas alternativas rentáveis ao selo (e às bandas). Acha que uma das alternativas para contornar as dificuldades do mercado fonográfico seja a postura adotada pela gravadora? No caso da Läjä (e muitos selos independentes) percebo que existem mais lançamentos sendo feitos de maneira coletiva, esta é uma saída?
MOZINE: Eu estava pensando esses dias, acho que seria legal um site pra downloads legais a baixíssimo custo. Outro fator que eu acho interessante eh o downlaod gratuito, porém com alguém bancando, tipo uma empresa, patrocinador. Mas o que eu espero mesmo é a volta do vinil no Brasil, pra poder fazer pequenas prensagens legais de títulos legais, e vender pro publico de sempre mesmo, sem megalomanias milionárias de gravadoras.


Um de seus trabalhos (Mozine) mais recentes é o livro UNA GIRA EM SUDAMERICA. Fale um pouco deste livro e se existe planos para lançar algum outro livro.
MOZINE: Esse “livro” já esta escrito a alguns anos. Na verdade terminei em 2005 assim que cheguei da tour. Mas só agora pude lançar, pois contei com o apoio de uma lei municipal. Eu ia ficar somente nesse mas percebi que a galera gostou, principalmente muitas pessoas de fora do hardcore. Acho q vou continuar, quero escrever mais dois, que já estão na agulha, um sobre historias reais (ou não) da minha pré adolescência em Coqueiral de Itaparica, historia de mulher que se matou no segundo andar, ratazana morta embaixo de pneu de ônibus e carnaval de Guriri. O outro seriar um livro / pesquisa sobre a historia do inicio do Mukeka di Rato. Acho que lanço os dois até o final do ano que vem.


Você toca em bandas, lança discos, escreve e edita livros, começou a atuar em curta-metragens, lançou um game. Você pretende dominar o mundo? Já pensou em montar uma igreja?
MOZINE: O que eu mais penso é em montar uma igreja ou ser político. Quem sabe um vereador bem cafona e ladrão, e esse é um bom começo. E isso que estou falando é verdade. Arquive esse entrevista em algum lugar do seu micro e daqui 15 anos, quando eu estiver eleito em Vila Velha ou Vitória, roubando o seu dinheiro, você vai falar: “caralho... era verdade mesmo”. Porém. além desse fato, acho que essa mesma tecnologia acessível que faz o menino baixar meu disco novo em 1 minuto, 1 minuto depois dele ter sido lançado, é a tecnologia que estou usando para fazer minhas coisas. O que você chama de “curta metragem” eu chamo de “videozinhos podres que eu sempre fiz ou sempre prensei em fazer”. Quando eu tinha 15 anos de idade eu já fazia isso em Coqueiral de Itaparica com Eduardo, Antonio, Ratinho, Beto e outros caras. A diferença é que aqueles 5 ou 10 filmes que fizemos perdemos em fitas VHS grandes, hoje em dia eu sei colocar no youtube e mil pessoas assistem.


No começo do ano você trouxe as bandas Vivisick e Fuck on the Beach ao Brasil. Ao contrário da maioria das turnês independentes que são feitas no Brasil, você os levou para tocar também no Nordeste. Como surgiu a idéia e como foi traçar uma rota diferente das demais turnês?
MOZINE: Esse negocio do nordeste foi um bagulho pessoal meu. Os melhores shows do mukeka di rato são no nordeste, tenho grandes amigos la, pessoas que me respeitam pra cacete, chego la nego me trata bem, e todos os shows são apenas na região sul e sudeste, isso é foda. Então comprei essa briga, expliquei pros caras do vivisick e fuck on the beach a realidade da guerra e eles falaram pra mim: “vamos fazer nordeste, se der preju, foda-se.” Os caras do mukeka di rato falaram comigo a mesma coisa, pra eu fazer essa porra. Não deu preju, deu menos no que daria ficar na região sudeste viajando 3 horas de van, mas valeu a pena. Esses dias eu recebi a mensagem de um dos caras das bandas do Japão: “please, i wanna go back nordeste to dance forró music and drink pitu cola”. PORRA! Foi bom pra caralho, e eu quero levar outras bandas legais de porradeiro pro nordeste, além de fazer uma tour com o merda por la assim que possível.


Se fazer shows já é difícil, organizar turnês é mais ainda. Pretende continuar trazendo bandas?
MOZINE: Eu odeio organizar tour. Fico nervoso e doente antes das tours, é um saco. Eu gosto de ficar bêbado, isso sim. Se eu pudesse não fazer nada vezes nada, eu faria isso. Chegaria no lugar, saltava to táxi, ligava meu baixo, tocava, enchia a cara e voltava pro hotel. Mas essa é uma realidade muito distante de mim. Eu tenho que ligar pros outros, tenho que marcar os shows, etc. Se eu quero continuar tocando com mukeka di rato ou seja outra banda, e sair desse show com no mínimo uma merrequinha no meu bolso, eu tenho que ligar, eu não posso me dar o luxo de ter um produtor, dois roadies, como eu queria. Então, eu não gostaria de fazer tours, eu gostaria que as bandas fossem absolutamente auto sustentáveis ao ponto deu contratar alguém pra fazer tudo pra mim e eu só entrar pra tocar, mas como isso não é possível e como eu gosto de tocar, gosto de viajar, eu organizo, mas eu saio mentalmente desgastado dessas situações.


Depois das turnês com o ATAQUE PERIFÉRICO e com o MERDA, está pronto para entrar em uma van e rodar a Europa com alguma outra banda?
MOZINE: Acabei de voltar na Europa, você deve saber né? Fiquei 15 dias na Dinamarca e Portugal, toquei umas musicas numa feira chamada Womex na Dinamarca, mas num esquema total fora do hardcore. Mas eu acho q estou preparado sim. Foram dois acidentes muito fudidos, principalmente o segundo que quase ceifou minha vida e/ou me deixou parado numa cama, mas eu não vou ficar agarrado com essa porra não, próximo ano se der eu vou. Essa viagem agora pra Europa foi boa pra minha cabeça e tal, foi bom pisar por la de novo e vamos ver o que rola em 2010.


Você será homenageado no final do ano em um evento da cultura capixaba (Omelete Marginal). Como recebeu esta notícia e o que acha disso tudo?
MOZINE: Eu acho isso tudo muito bizarro velho, estranho pra caralho, ambíguo e estou tentando tomar muito cuidado com isso. Se eu mereço essa homenagem? Hmmm.. sim, porque não? Assim como 800 pessoas ao meu lado merecem, iguais a mim. Rodrigão, Cidinho, Marcel, Alexandre, etc. Esse lance de homeganens são estranhas, o melhor, the best, isso tudo é muito relativo. Algumas coisas nessa historia toda me incomodam um pouco, por exemplo: Nesse festival fui indicado a um premio de “melhor ator” por um filme de internet. Achei isso uma merda!!! Achei muito ruim, porque essa indicação desmoraliza a minha indicação como “melhor disco do ano” com os pedrero, que na verdade eu não devia ser indicado, devia ganhar logo, que o nosso disco é o melhor mesmo! Heheheheheh!!!! Bom.. eu acho esse festival omelete marginal muito foda, toda a idéia e estrutura e sempre apoiei os caras, agora pintou essa lance da indicação e é isso. Isso não muda nada na minha vida, na minha postura e nada no meu jeito de ser, nada em porra nenhuma que eu faço, e vou tentar usar isso num futuro próximo de forma positiva pra outros projetos que eu desenvolvo que são fora do hardcore, etc.


O que você tem escutado de novo e bom relacionado a hardcore/punk/rock nacional? E internacional?
MOZINE: Eu sou um cara que escuta sempre as mesmas bandas, isso é foda. Se você ver entrevistas minhas de anos atrás vai ver eu falando sobre fyp, dwaves, etc. Vou olhar pro meu armário e falar o que estou vendo: Raquel, uma cantora de fado, portuguesa, nova, bonitona, canta pra cacete. PARNO GRASZT, uma banda de ciganos de verdade, da hungria, muuuuuuuuuuuuuuuuito foda, mas muito foda mesmo, melhor coisa do mundo. Fe Paschoal, um menino novo aqui do ES, que faz um som que eu nem sei falar que porra é aquela, sei la, MPB + Rock + musica latina, será que é isso?? Sei la, ele faz um som, eu acho legal. Tenho escutado muita guitarrada também. Ganhei 15 cds no Pará: João Gonsalves o inventor da lambada, Aldo Sena e Curica dois mestres da guitarrada, tenho escutado umas bandas de Carimbó da ilha de Marajó, porra Allan, foi mal, acho que não tenho escutado muito hardcore. deixa eu pensar uma banda de hardcore, nova, que eu parei pra escutar.... Delinqüentes, de Belém do Pará, uma banda antiga, tocam bem, o cd é bem gravado, foi uma das ultimas bandas de hardcore que eu parei e coloquei no aparelho e escutei e olhei o encarte pra ler as letras. Velho de câncer eu gostei pra cacete, cd bom. Parei pra assistir um show do Ornitorrincos no Sul e gostei disso, e poguei num show do Replicantes com meninos de 15 anos e garrafa de conhaque na mão, isso também em Porto Alegre. O resto que eu falar aqui vai ser Black Flag, etc, e eu não vou ficar falando isso né, nessa altura do campeonato, até a menina da malhação tem camisa com 4 barrinhas.


Muitas bandas possuem sites hoje em dia, porém o contato mais direto e constante com o público é feito através de mídias com Orkut, Fotolog, Myspace e Twitter. É através destes meios que elas conseguem manter uma frequência de atualizações quase que em tempo real. Quais os meios que você se utiliza com mais frequência? O site próprio ainda é necessário?
MOZINE: Quase todos esses meios ai. Alguns precariamente outros melhor. Pra vc ter uma idéia, eu mesmo não sei mexer no myspace. Durante todos esses anos quem cuida disso pra mim é o Ricardo Tibiu, de São Paulo. O metal cuida dos meus sites, eu deixo lá só pra dizer que existem. A coisa que eu atualizo todos os dias mesmo é o fotolog da laja, colocando noticias ou coisas pessoas, engraçado que quando divulgo coisas de bandas, shows, quase ninguém comenta. Quando coloco fotos engraçadas, do Toscano e do Mancha bêbado, todo mundo fala. Tenho usado o Twitter de vez em quando e tem dado resultado. Divulgo lá quando chega coisas nova no catalogo e costumo vender algo. Já falaram que eu devo fazer face book mas ainda estou resistindo. Uso o msn todo dia, faço muitos negócios por ele, marco show, vendo cds e mantenho o contato com meus amigos.


E OS PEDRERO, o que tem rolado com a banda?
MOZINE: Lançou esse disco que você falou ai embaixo, e fazer alguns shows sim, estamos tentando marcar algo inclusive tem show em dezembro aqui no ES.


SOU FEIO, MAS TENHO BANDA é o disco mais novo D’OS PEDRERO. É um disco que começou a ser gravado a alguns anos atrás, porém só saiu agora. Porque tanta demora?
MOZINE: Velho, diversos motivos: 1) isso foi um disco presente, que o rafael ramos ME DEU, de presente mermo, amigo, então a gente atrasou e depois tivemos que seguir o horário dele. 2) fora isso quando ele conseguia me colocar la pra gravar o bagulho que faltavam (4 vocais da minha pessoa) eu chegava sem condiçòes de gravar, por motivos diversos, tomando alguns ligeiros esporros dele. Até que um dia eu finalmente consegui gravar 2 musicas que faltavam e outra musica la a gente cortou mesmo, por incapacidade de gravar mesmo o vocal. Depois foi um outro processo um pouco lento pra mixar, mas acabou rolando e eu gosto muito desse disco, muito mesmo, mas tirando O Motoqueiro doido, que eu não gosto, todos os discos do pedrero quando saem, eu gosto pra caralho e costumo escutar muito, apesar que eu já parei de escutar esse disco faz tempo.


É a primeira gravação da banda com o baterista Marcelinho. Existe alguma diferença entre as músicas deste para os outros discos?
MOZINE: Ah bicho... porra! Hehe lógico que existe né, mas eu prefiro não comentar nada. Aconselho a pessoa a escutar e ver a diferença. Mas esses dias eu estava escutando o cavera y macaco, a bateria é mal gravada, eu mixei ela baixa pra esconder algumas coisas, e eu gosto pra cacete! Hehe Bebê mandou bem nesse disco, é brutalmente bem mal tocado, é hardcore pra caralho, sujo, ficou foda.


Também é o primeiro disco da banda gravado em um grande estúdio (Estúdio Tambor/RJ - Deckdisc). Como foi gravar um som que vocês costumavam se aproveitar das crueza dos estúdios em um local com mais tecnologia e que normalmente algumas bandas buscam para soar mais limpo? Isso influenciou muito no resultado final?
MOZINE: Acho que fizemos a mesma coisa que fizemos com o Carne do mukeka di rato. Usamos a tecnologia do Estúdio ao nosso favor. É bem gravado? Sim. É outro baterista diferente? Sim. É os Pedrero???? Sim! Pra caralho, é um disco dos pedrero.


Tendo sido gravado no estúdio da DECK e produzido pelo pessoal da gravador, houve algum sinal de que este disco poderia ser lançado por eles?
MOZINE: Nunca, esse disco foi um presente que ganhamos do nosso chefe.


E o MERDA, como anda?
MOZINE: Tocamos esse dia no lançamento do meu livro. Queremos fazer um outro show em vila velha com a formação certa. Queremos fazer uma tour no nordeste nos moldes da que fizemos no sudeste, sul argentina e uruguay, vamos ver. O split com DFC acaba de sair, saiu ontem, sério! Queremos agora fazer um disco nosso. Eu to com uma idéia doida, vamos ver se os caras mais uma vez abraçam as minhas doideras, tenho certeza que uma galera vai torcer o nariz se rolar, mas okay, to muito preocupado com a galera não.


No MUKEKA DI RATO a distância entre Brek e o restante da banda parece que já foi contornada, pois o MUKEKA DI RATO está sempre na estrada. Agora é o Japonês do MERDA que também mora longe, o que isso afetou a banda quanto a shows e gravações?
MOZINE: A do brek é muitisismo pior que do Japa. O mukeka faz vários shows péssimos que queimam nosso filme, mas nesse caso nem culpo o brek, culpo eu e sandro que sempre estamos bêbados, basta olhar alguns shows no youtube, que é uma desgraça que expõe a ferida horrível. Mas isso tem melhorado. A distancia do Brek atrapalha mesmo a parte de produção. Quero dizer, apesar dos shows serem horríveis, “teoricamente” por falta de ensaio, te garanto que se brek estivesse aqui não estaríamos indo ensaiar “minha escolinha”, ta ligado? Ou seja, se brek morasse no ES, ou nós três em São Paulo, nosso novo disco já estaria pronto. O processo de composição esta lentíssimo por causa da distancia. Fomos ensaiar agora em são paulo, numa sexta feira, deixamos de marcar show na sexta pra ensaiar. Chega quinta feira, festa do VMB, da MTV. Na sexta feira nego passa mal o dia todo de ressaca, chegamos 30 minutos atrasado e fazemos apenas uma musica nova, ou seja, é tenso velho, eh complicado, mas não tem como por a culpa no brek, ta ligado? É uma banda desgraçada mesmo.


Falando em MUKEKA DI RATO, quais as novidades da banda?
MOZINE: Situação boa ruim. Toca pra caralho, mil propostas de show! Cachê dessas mil propostas: duas mariola e uma garrafa de conhaque. Carne! Nossa, que cd foda, todo mundo gosta, sucesso de criticas! Vendagem do carne: duas mariola! Isso que enfraquece a amizade.


O MUKEKA assinou com a DECK e lançou o disco CARNE. O que este contrato mudou para a banda?
Se carne tivesse sido lançado de forma independente não teria sido lançado porque a banda teria acabado, a banda estava em frangalhos e o contrato da deck acabou nos dando um gás. Mas na verdade a banda não mudou porra nenhuma, somos a mesma merda, os mesmos gordos, as mesmas piadas, os mesmos hotéis de centro de sp com cheiro de crack na recepção.


E mais uma vez o MUKEKA foi indicado ao VMB. Acho que enquadrar as bandas nas categorias musicais tornou a coisa, aparentemente (!!), mais democrática. O que achou desta divisão?
MOZINE: Achei legal, gostei de todas as bandas que estavam ali indicadas e me parecia muito obvio que o dead fish iria ganhar o premio, e eu acho que ganhou com méritos. Achei muito doido o nome “HARDCORE” na indicação do premio, a MTV é legal por uns aspectos. A MTV Brasil tem muita coisa doida, muita coisa que não tem nem em TV de internet, a MTV tem bastante informação. Tem mary moon horrível ridícula? Tem.. mas porra, saiba ligar na hora certa. Eu vejo coisas boas na MTV, Hermes e Renato é o bagulho mais engraçado do mundo, Coluna passa umas bandas doidas, mas eu to viajando né, vc não perguntou isso, vc perguntou da indicação? Foi mal.


Quando me perguntaram quem eu achava que levaria, disse que estava entre vocês e o Dead Fish. Achou que tinham chances? Comente sobre a indicação e possibilidade de premiação.
MOZINE: Sempre soube que não tinha chances, desde o inicio, soube por mim e pela minha intuição. Mas pra gente é sempre foda estar indicado.


Entre os clipes do disco CARNE o da música CACHAÇA é o melhor para mim. Qual o seu preferido?
MOZINE: Cachaça também é o que eu mais gosto. Eu gostei do Carne porque ninguém gostou. Mas não foi só por isso, é porque eu gostei mesmo. Na verdade tudo em todas as bandas minahs que eu mais gosto são os que eu acabei de fazer. Se vc me perguntar agora o cd que eu mais gosto dos pedrero vou falar “sou feio mas tenho banda” mas pode ser que daqui alguns anos volte a ser o “estilo selvagem”. Mas no atual momento eu gosto de “cachaça” como melhor clip que o mukeka di rato já fez em toda vida. O clip de “rinha de magnata” é muito marcante. Tecnicamente deve ser o melhor do mukeka, mas eu gosto mesmo é do Cachaça, mil vezes mais.


Depois de clipes mais engraçados, algumas pessoas acharam o clipe de CARNE um pouco estranho. Acho que muitas esperavam algo engraçado como os outros e acabaram por não entendê-lo e nem associa-lo ao que é a letra da música. Qual foi a idéia de vocês com aquelas imagens?
MOZINE: A idéia foi fazer isso ai que vc falou ai em cima. O mukeka é uma banda engraçada naturalmente e não uma banda engraçadinha.


CARNE já se tornou um disco velho. Disco novo, dvd, quais os próximos planos do MUKEKA DI RATO?
MOZINE:
Idéias: milhares.
Realizações: nenhuma.
Motivo: tempo e vida louca dos integrantes, mil compromissos, distancias, trabalhos fixos, etc.

Das idéias:
- disco novo (já temos 6 ou 7 musicas, a capa, o nome do disco. Sai no começo de 2010, mas já poderia ter saído desde julho de 2009)
- dvd duplo: japão / brasil (isso sai em 2010, quem sabe, porque não???)
- split 7” ep (ou com uma banda européia ou com uma banda viado do brasil, sai 2010 também)
- dvd da banda mesmo (nem Deus sabe quando isso sai, mas tem-se a ideia)


Acho que já perdi as contas de quantas vezes te entrevistei. Nem sei como ainda consigo criar perguntas para você. Vamos parando por aqui porque minhas idéias chegaram ao fim. Suas palavras...
MOZINE: Acho que foram boas, focou os assuntos atuais da banda, entrevista reta, sincera, você é meu amigo mas não fica puxando meu saco, tu é do hardcore mas não fica querendo dar alfinetadinha com perguntas duplo sentido, etc, vale a pena parar pra escrever algo com clareza. É nóis meu brother, tamo ai nessa vida doida, se divertindo da forma que da, porque o dia que essa porra perder a ultima gota de alegria e diversão que proporciona, vai dar o cu numa empresa mesmo e ganhar dinheiro que é a onda.



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domingo, 25 de outubro de 2009

ENTREVISTA DEAD FISH

Com certeza a maior banda capixaba e uma das maiores do Brasil, mesmo com as dificuldades atuais do cenário musical eles conseguem manter-se no topo da lista de muitas pessoas ao longo de tantos anos. Este ano lançaram o cd CONTRA TODOS que muitos afirmam ser uma retomada ao estilo que ficou marcado no cd SONHO MÉDIO, proposital ou não esta idéia, o cd mostra uma banda rejuvenecida e cheia de vigor. Em um momento musical que muitas bandas pisam no freio e tiram o peso de suas músicas, eles nos presenteiam com um disco capaz de saciar àqueles que esperam por hardcore soando como hardcore. Desde 2006 sem entrevistar o Dead Fish aproveitei o bom momento que a banda passa, para abordar os acontecimentos mais recentes envolvendo a banda. A nova formação e a troca de baterista, cd novo, indicação e premiação na MTV.
Respostas: Rodrigo.


Pela segunda vez o DEAD FISH levou um prêmio no VMB. Na primeira oportunidade vocês ganharam o prêmio de Revelação, mesmo sendo uma banda com mais de 10 anos de estrada. Como foi desta vez levar um prêmio em uma categoria (HARDCORE) realmente relacionada a vocês?
DF - Acho que não levamos estas parada muito a sério, foi legal e tudo mais estar numa categoria com bandas que realmente gostamos e que respeitamos, mas não levamos esta parada na ponta da faca. Eu particulamente fiquei feliz de ganhar um prêmio e tudo mais mas só isso.


Este ano dividiram as bandas por categorias de estilo, mas você não acha que faltou pelo menos uma categoria (METAL)? (Sei que vocês não têm nada a ver com isso, mas) Não existem bandas de metal mais ou elas não produzem clipes?
DF - Eu nem sei quais foram os objetivos de se ter uma categoria Hardcore, na real nem me interessa, mas seria muito mais legal ter uma porrada de outras categorias sim.


Finalizando o assunto VMB, desta vez os prêmios eram referentes a melhor banda e não ao melhor clipe. Porém vocês fizeram questão de agradecer e considerar premiados os produtores do mais recente clipe de vocês (AUTONOMIA). Fale deste clipe, da idéia e do processo de produção do mesmo.
DF - Eu finalmente me orgulho de algo produzido em video do Dead Fish, alguns outros clipes nossos são legais, mas este me deu mais orgulho, senti a idéia mais bem executada e mais dentro da propósta da banda, acho que isso fez alguma diferença na hora de nego votar na banda.
O Bá e o Tagori são velhos conhecidos, crescemos juntos em cenários de Hc em cidades diferentes, acho que quando tivemos a idéia e o Tagori disse que poderia executa-la tudo fluiu, sem ter que explicar muito um pro outro o que era a propósta disso ou com seria feito aquilo, eu particularmente tinha muita confiança nos caras. E foi assim que a coisa se deu, um falava o outro já sabia mais ou menos como seria.


O ano de 2009 é o em que vocês lançaram CONTRA TODOS. Como você define este disco?
DF - Já ouvi algumas definições de alguns amigos próximos, que acho que acabam sempre sendo mais racionais por estarem fora do processo. Pra mim o Contra todos, é uma espécie de Sonho médio com 30 anos falando a grosso modo. Tem muita energia ali, tem muita vida cotidiana de um capixa numa cidade como S.Paulo, tem a simplicidade do S.M mas não tem a inocência deste.
De qualquer forma gosto mais deste trabalho do do que do Um Homem só, que definitivamente é mais criativo ou experimental ou o que o valha. As vezes fico pensando se me tornei mais conservador ou se este retorno a alugmas de nossas raizes é uma busca por algo que ficou perdido, não sei definir direito cara.


Algumas pessoas quando resenham os discos de vocês costumam separar a discografia de vocês entre a "fase independente" e a "fase Deckdisc". Ao analisar a discografia de vocês, existe esta diferenciação para você? Como você compara o CONTRA TODOS com os demais discos de vocês?
DF - Se existe esta separação defnitivamente esta na fase Deckdisc né? Este supostamente, ainda não sei se vai acontecer, é o fechamento de um trabalho com o Rafael Ramos, apredemos muito nesta fase, talvez tenha sido a fase onde mais aprendemos sobre música e mais um monte de coisas.

O CONTRA TODOS entra no topo da lista dos discos de vocês, está entre os melhores para mim. E ele é o primeiro disco de vocês produzido com apenas um guitarrista. Houve muita diferença entre produzir com dois ou um guitarrista?
DF - Muita, demais mesmo, guitarrista costumam ser megalomaniacos e tarados por timbres e estas coisas. Fazer o trabalho só com um guitarista simplificou demais porque o Phil, pôde fazer do jeito dele sem ter que ficar adequando a coisas de outro guitarrista. Eu particulamente adorei o trabalho dele, acho ele um puta guitarrista criativo e isso fez a diferença num disco mais cru e mais direto que é o Contra todos. Mesmo o Phil sendo um preciosista megalomaniaco do caralho hahahahaha.


Musicalmente, o show está mais direto com apenas uma guitarra e o Marcão (que tem uma formação musical diferente da de vocês) na bateria?
DF - Perdemos em arranjos e ganhamos em peso e velocidade ao meu ver, o que me agrada. O Marcão vem de um cenário de hardcore mais pesado, mais ligado ao metal e isso já é sentido logo quando a gente começou a ensaiar com ele. Se fizermos um outro trabalho acho que isso vai fazer bastante diferença também.


Vamos parando por aqui. Obrigado, o espaço é de vocês.
DF - Ô Allan, manda um abraço pro Danton ai cara, valeu por tem lembrado da gente e te cuida ai. Você esta mais forte do que quando eu te encontrei da última vez?
http://www.deadfish.com.br
http://www.fotolog.com.br/deadfishoficial
http://www.myspace.com/deadfishoficial
http://www.youtube.com/deadfishoficial
http://www.papolog.com.br/deadfish

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ENTREVISTA EU SEREI A HIENA

O EU SEREI A HIENA é uma banda já conhecida da cena paulista. Inicialmente ficaram conhecidos pelo passado que têm com suas bandas (Ratos de Porão, Discarga, Dance of Days, O Inimigo, Tri Lambda, Good Intentions e Isosceles Kramer), porém bastaram algumas apresentações ao vivo e o primeiro cd lançado para que eles ficassem conhecidos pelo o que a banda é. De 2005 para cá eles foram se tornando cade vez mais um nome forte na cena independente. Apesar de ser uma banda instrumental e de ter algumas de suas influências provenientes da cena punk, o ESAH não se resume a uma cena apenas. A idéia deles é tocar em todo e qualquer lugar, para todo tipo de público. Isso os impulsionou a seguir em frente, o que agora em 2009 resultou em HOMINIS CANIDAE, seu segundo cd, que assim como o primeiro tem sido altamente elogiado e que lhe rendeu uma indicação ao Prêmio VMB 2009. Premiados ou não, isso não importa. O que eles querem é que a música seja levada cada vez mais a sério em suas vidas.


Recentemente vocês foram indicados ao prêmio VMB da MTV. Vocês não são uma banda com presença constante na mídia. Como foi para vocês esta indicação?
ESAH - Cara, foi uma surpresa para todos nós. Não tínhamos nenhuma idéia que isso poderia rolar algum dia, e ainda mais eu conversei com algumas pessoas que são meus amigos lá da MTV, e nem eles sabiam quem colocou a gente lá, então daí a surpresa foi maior ainda. Ficamos muito felizes por essa indicação, mais por ajudar a divulgar o nome mesmo, pois a MTV não é e nunca foi uma referência positiva musical em nenhum lugar do mundo.


O fato de não terem levado o prêmio chateou vocês? O que esperavam naquela noite?
ESAH - Tínhamos certeza absoluta que não íamos ganhar, ainda mais concorrendo com o Hurtmold que está de apoio ao Marcelo Camelo; Macaco Bong que é uma banda que não para de fazer shows por todo país, muito mais conhecidos que o Hiena, e no final da história o Pata de Elefante ganhou, eu nunca tinha ouvido falar neles, e nem tenho a idéia do critério que é usado pra isso, mas enfim, não esperávamos nada naquela noite, fomos à premiação já sabendo que não tínhamos ganho, e aproveitamos para ir à festa que foi muito engraçada, encontramos muitos amigos lá.


HOMINIS CANIDAE é o segundo disco de vocês, musicalmente há integração de novos elementos na música de vocês. O que mudou no processo de composição entre o primeiro e segundo cd.
ESAH - Na real o primeiro disco não era nem pra sair em CD, era apenas uma demo que gravamos semi ao vivo, daí depois que o Ailton da Travolta Discos ouviu, ele quis lançar, então esse nosso primeiro trabalho não teve nenhum tipo de produção mais aprofundada. Daí já esse segundo disco foi mais pensado, fizemos as músicas já pensando em gravar um disco, em chamar novos participantes diferentes, acrescentamos outros instrumentos, como teclado e violino, e ficamos muito satisfeitos com o resultado.
Mesmo a arte do disco entrou no mesmo processo das participações, demos na mão do nosso amigo Tony e ele teve livre escolha pra montar a arte, e faltando 2 semanas pra finalizar a arte ele apareceu com esse formato maluco! E então saiu o disco dessa forma, cheio de coisas diferentes do primeiro.


A participação dos convidados continua na mesma idéia. Quem são so convidados e o que vocês falam para cada um ao chamar para participar do cd. Quem escolhe as faixas?
ESAH - No primeiro disco levamos o instrumental na casa do Rodrigo Dead Fish, ele escutou 3 faixas e ele mesmo escolheu à dele. E então ele ficou livre para criar uma letra, uma melodia, é sempre livre isso para todos os participantes. Das 2 que sobraram, uma delas tinha muito a cara do Farofa do Garage Fuzz, e então a última que sobrou eu mandei por correio para o Nekro Boom Boom Kid.
Já as faixas de remix, demos o arquivo original das músicas para o Chacal e para o M. Takara e assim eles criaram livremente tudo que está ali. No segundo disco já entregamos as músicas certas para cada participante, e então daí eles ficaram livres para criar a parte deles. O Léo do Street Bulldogs ficou com uma música bem hardcore, que por sinal era do Rethink, uma banda antiga nossa. A Blue Bell foi a maior surpresa para nós, pois se trata de uma cantora "profissional" e que não tem relação nenhuma com o hardore, foi muito foda trabalhar com ela, é a faixa do disco que as pessoas mais comentam com a gente que curtiram. Nas músicas que o João Ordinária Hit toca violino, e na que o Daniel Ganjaman toca teclado deram um acrescento instrumetal na música muito especial, e também uma coisa que nunca tínhamos feito no primeiro disco. O Cebola, do Jail for Life, foi vocalista do Hiena em alguns ensaios nos primórdios da banda, mas nunca chegou a fazer shows nem nada, e então ele já estava programado pra cantar desde o começo dessas músicas novas. E pra finalizar, contamos com a presença do nosso amigo de longa data Dedé, que assina como Eulália, fazendo uma versão mais ambiente da música título do disco Hominis Canidae.
Quanto aos shows, tocando em bandas mais conhecidas e que estão sempre na estrada (no caso mais o Dance of Days e o Ratos de Porão), vocês conseguem conciliar o tempo entre as demais bandas e o ESAH?
ESAH - Desde o início do Eu Serei a Hiena isso já era uma realidade. Sempre tivemos outras bandas que nos ocupam muito, mas mesmo assim conseguimos tocar bastante. O Hiena fez muitos shows em locais diferentes do público hardcore aqui em São Paulo, muitas casas noturnas de baladas, locais onde não tocam bandas mais barulhentas, e nesses locais conseguimos tocar muito de dia de semana mesmo, sem atrapalhar nossa agenda com as outras bandas. Mas muitas vezes nos atrapalha mesmo, já fomos convidados para inúmeros shows que já tínhamos coisas marcadas, é uma pena, mas isso sempre foi assim, começamos assim, então já nos acostumamos e a galera que nos convida sempre entende.


E agora vocês têm shows marcados em Natal, Recife e João Pessoa, a com oportunidade de tocar em grandes festivais e para um público totalmente novo. Como surgiram estes convites e quais as expectativas para estes festivais.
ESAH - Desde quando saiu nosso primeiro disco, muita gente do nordeste nos escreveu que tinham curtido o disco. Eu e o Nino fomos pra lá com o RDP, o Fausto com o Dance of Days, e então os contatos já estavam rolando. O Bebaça tem muito contato com o pessoal de Natal, e junto com o Geladeira, ele que conseguiu fechar, inicialmente, no festival DOsol. Daí iremos tocar em Natal numa extensão do Dosol, chamdo Música Comtemporânea. Estamos doidos pra isso logo chegar, acho que nunca tocamos fora do estado de São Paulo, e ir pro nordeste sempre é uma viagem fodassa de se fazer, onde o visual é demais, o público sempre participa muito, vai ser muito bom! estamos contando os dias!


Vi que recentemente vocês fizeram um show acústico. Como é largar a distorção e encarar o público apenas com violões? Vocês mexem nas estruturas das músicas para estes shows ou é apenas desplugar e ok?
ESAH - A idéia do acústico surgiu pra tocar numa festa que rolou aqui na casa do nosso amigo Popó. Ele fez uma bazar de roupas, e por ser na própria casa, não rolaria de tocar fazendo barulho e tal, daí veio a idéia de tocar acústico.
Fizemos apenas 1 ensaio para esse show, mudamos pouca coisa, e no show rolou alguma improsivo ou outro, mas sempre na mesma pegada dos nossos shows, sempre estamos bem livres pra criar coisas ali na rua, nunca nos prendemos. Com relação ao público, é um pouco diferente sim tocar desplugado, o pessoal conversa e já dá pra escutar, estão todos ali sentados prestando mais atenção, foi uma experiência muito boa. Além desse da casa do Popó, fizemos um outro num restaurante vegano aqui de SP, o Vegacy. Ambos shows podes ser encontrados no youtube.


Bom, agradeço a atenção de vocês. Finalizamos aqui, o espaço é de vocês.
ESAH - Eu que agradeço pela banda toda a oportunidade de estar fazendo parte desse novo blog, espero que só cresça com o tempo! O Eu Serei a Hiena pode ser escutado por ae, em shows, festas, internet, trilhas sonoras; e queremos que as pessoas levem a música cada vez mais a sério em suas vidas. valeu!


http://www.tramavirtual.com.br/eu_serei_a_hiena
http://www.myspace.com/eusereiahiena
http://twitter.com/eusereiahiena
http://www.fotolog.com.br/_hiena

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Participei de um Podcast:


Do blog http://biscoitodogorilla.blogspot.com:

Faaala Macacada!! Finalmente chegamos a nossa 5º edição! Nesse episódio temos a participação especial de Allan Borges!Allan é de Vila Velha, toca no Ex-Inferis,e tinha a produtora de shows BROKEN BONES PRODUÇÔES, além de já ter tocado no Jäzzus e no Man Or Afroman? . Aproveitamos a experiência de Allan e um pouco da nossa própria também para falar sobre SHOW DIY! As alegrias, tristezas e trapalhadas de se organizar e tocar um show feito por nós mesmos para nós mesmos.

Em homenagem ao tema, somente sons ao vivo!Segue o Set List:

1.NO FUN AT ALL - Believers
2.RATOS DE PORÃO - Plano Furado I
3.RUINATION - Hero/Suspect
4.GORILLA BISCUITS - Distance
5.SAVES THE DAY - Jessie & My Whetstone
6.MANLIFTINGBANNER - Sister
7.PROJECT X - Dance Floor Justice
(Bônus track: PROJECT X - Cross Me)

ACESSE O BLOG, BAIXE O PODCAST E DEIXE UM COMENTÁRIO PARA ESTES CAMARADAS!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Entrevista com HELLNATION, publicada no UMA PARTE ZINE #4 – 2001.
Perguntas por Allan.
Respostas por Ken.

A letra de “College Town Revolutionary” tem algum significado especial ou pessoal? Parece ser direcionada a alguém. Fale um pouco desta letra.É apenas sobre algumas pessoas que eu conheci uma vez, que lêem alguns livros sobre qualquer coisa política e pensam que já são peritos em tudo e que têm as respostas. Quando eles perceberem que a vida é muito mais complicada do que slogans de punk rock eles irão cair fora e ainda haverão pessoas ruins no punk.

Você é punk ou policial? Você é fã de policiais? Você vê os policiais como inimigos, você os teme ou apenas ignora-os? Quando eu estou próximo de policiais eu fico muito paranóico, mesmo que eu não esteja fazendo nada de errado. Isso vem da experiência que mesmo que você não esteja agindo errado será como um carneiro castrado que pode tentarou não.

“I dont know how to act, I don’t know what is right”, o que você quer dizer nesta letra (Kiss of Death)? Você está desacreditado com tudo, a que você se refere?Está basicamente dizendo que eu não me importo realmente em satisfazer qualquer um, porque não importa o que você faça que haverão centenas de críticos. Geralmente os críticos não fazem nada, mas eles se sentam e criticam.

O que houve com o outro baixista, porque saiu? Antes desta mudança na formação a banda era estável, ou sempre sofreu com estas mudanças? O Chris parece que "acelerou" mais ainda o som da banda.Ele se casou e sua vida ficou muito ocupada. Também inicialmente eles estavam pensando em ir morar na China. Nós ainda somos bons amigos e atualmente podemos começar uma banda aqui por perto. Hellnation era uma banda de 4 pessoas inicialmente e Al queria tocar baixo ante de ir para a bateria. Chris apenas entrou para tocar na turnê européia. Se as músicas estão um pouco mais rápidas isso é provavelmente porque nós estamos tocando-as há muito tempo, desde que nós as gravamos originalmente. Assim, elas vão acelerando naturalmente com o tempo.

“Living Dead” fala sobre a vida de quem trabalha horas mais horas, durante anos e não vê a vida passar, esquece de tudo, isso por causa do dinheiro. Uma pessoa assim com certeza não vive feliz. Você se considera um cara feliz ou sua vida é este inferno, como na letra?Atualmente eu tenho tentado ser razoavelmente positivo. Eu tento fazer a minha vida o que eu quero dela tanto quanto eu posso. Eu sou uma pessoa razoavelmente feliz, sou do tipo de emocional que balança de acordo com o que acontece. As letras são apenas reflexos das coisas que nos afetam.

“this is punk rock not the boy scouts”, entendo isso como uma referência a pessoas na cena controlando a vida de outras, o que você tem a dizer sobre política de cena?Eu penso que eles são pessoas completamente estúpidas, para mim um reflexo de cliques de estupidez da nossa sociedade reguladora que qualquer um no punk diz que odeia.

E a letra de “Aaron Pryor” o que fala? Não consegui entender muito bem.Ele foi um grande boxeador de nossa cidade, um dos melhores mas nossa cidade é muito branca e nunca lhe daria este crédito merecido. Se ele fosse branco esta cidade poderia ser louca por ele.

Você gosta de ler? Que tipo de leitura? Considerando fanzines como um tipo de leitura alternativa e contra cultural, o que você acha necessário (conteúdo) a um fanzine e o que você vê como desnecessário para quem lê?Yeah, eu adoro ler, atualmente estou um pouco ocupado e não estou lendo tanto. Ultimamente eu tenho me interessado em ler biografias. A última que comecei foi a de Muhamed Ali! A única coisa que eu acho que é necessária para um fanzine é que ele deve ter personalidade. Não apenas propagandas e resenhas da Epitaph Records que ocupam uma página inteira. Aqueles que quando datilografam paracem um desperdício de árvores.

Há quanto tempo você está envolvido com a cena punk/hc? O que o motivou a se envolver a estar ligado a ela, e o que o motiva permanecer nela? Como você vê o HC hoje comparado a quando você se infiltrou nele?Eu comecei a descobrir o punk por volta de 1985. O que foi principal para que eu me encontrasse foi o fato de haver ótimas pessoas e os ótimos momentos que passo com elas. E também as grandes bandas que vinham ao longo disso. Para mim a maior diferença é como a cena parece muito mais rachada em facções agora. Todos tem seus próprios pequenos grupos.

Fuck on the Beach, Romantic Gorilla, Flash Gordon, são bandas japonesas que eu adoro e todas já tiveram lançamentos em seu selo. As bandas japonesas para mim são sinônimo de HC rápido e divertido e são as bandas que eu tenho me interessado mais em escutar. O que você tem a dizer sobre estas bandas e o HC japonês?Eu amo isso! Eu pude me reunir com todas essas bandas quando eu fui para o Japão e eram todos grandes pessoas e super legais, para não mencionar que são apenas grandes bandas. Eles possuem apenas um senso de energia surpreendente. HC japonês eu provavelmente escuto mais do que qualquer coisa. Parecem ter uma abundância de ótimas bandas constantemente. O novo cd do PaintBox me matou.

Com certeza você conhece algo do Brasil, pois afinal já até lançou um 7” do No Violence há alguns anos atrás. O que você sabe atualmente do hardcore brasileiro, o que você gosta nele?Eu realmente me sinto ignorante sobre o Brasil. Para mim eu penso que o hardcore no Brasil tem uma energia crua realmente boa. Atualmente eu tenho escutado muito Mukeka Di Rato, Mahogany, o novo CD do No Violence e algumasfitas coletâneas que eu peguei. Eu estou realmente esperando para ver estas bandas ao vivo!
Os discos (Cds) do Hellnation, sempre apresentaram músicas novas, quando se ouvia regravações, eram de músicas que saíram em coletâneas, 7”s, etc. Uma coisa que não entendi foi o porque de se lançar um CD (“Cheerleaders for Imperialism”) contendo algumas músicas novas mas muitas músicas que saíram em outros CDs. Poderia explicar?Nós gravamos isso com Chris do Spazz que estava conosco em nossa turnê na Europa. Nós queríamos tentar um estúdio diferente e gravamos nosso set list e 3 músicas novas. Nós não tínhamos nenhuma pretensão de lançar isso e quando nós voltamos da Europa Chris nos perguntou se estávamos interessados em ter isso lançado pela Slap A Ham. Nós achamos que estagravação saiu muito boa mesmo. Várias pessoas não tinham os Eps e as músicas soaram tão boas que fizemos isso.

Por que você é um “fucked up mess”??Eu não me encaixo nisso. Eu acho que algumas pessoas são assim comprometidas com dinheiro e em fazer mais dele, ou serem populares. Se você não se conformar todos pensarão que você é um fudido. De maneira que seja o que nós somos.
O que você tem a dizer sobre os “emo crybabies.”? Já imaginou o Hellnation divindo um disco com um banda deste tipo, ou uma banda dessa lançando algo pela Sound Pollution?Eu apenas acho que a música emo é absolutamente terrível e não sei o que isto está fazendo no punk rock. Isso soa como "college rock" para mim.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Uma parte zine - Relembrando parte 2

Entrevista com SPAZZ, publicada no UMA PARTE ZINE #4 - 2001.
Perguntas por Allan e Mozine.

Power violence = Spazz??? Quem começou com o “power violence” em sua opinião? Ou então, quem começou a usar este nome para este tipo de som?
Bem, eu odeio o termo realmente, mas o grupo de amigos que existe entre os membros de CAPITALIST CASUALTIES, MITB (Man is the Bastard), CROSSED OUT, NO COMMENT, MANPIG, etc usa este termo. Foi criado pelo MITB, e usado no EP split com Aunt Mary. Eu odeio o termo, atualmente isto é usado apenas para se referir ao hardcore rápido.

PC ou não PC? “SxE” ou “drunk as fuck”? O que você acha dessas subdivisões?
É usado por aqueles que sabem que eles tem fudido com a moral/ética para atacar aqueles que fazem merda. Chamar alguám de racista não é PC, isso é um problema social, não político. Eu sou sxe, mas não ligo se você bebe. Só não foda um show. Subdivisões ocorrerão à medida que nós continuarmos a usar termos que nos dividem( "power violence").

“Crack é uma boa comida”?
Yeah veja que o Spazz é uma grande piada... a maioria das letras não têm sentido, é apenas “zoação”... Sendo assim, crack é uma boa comida.

O que você acha das letras do Spazz? Qual a importância do bom humor na banda??
Apenas para se divertir e não para levar tudo a sério. Você pode ainda ser brutal, mas continuar sendo divertido!

As músicas mais antigas do Spazz tinham letras que pareciam ser mais sérias. No Crush Kill Destroy as letras soam totalmente hilárias, sarcásticas e descompromissadas. Porque esta mudança? O que você acha da política no hardcore, o que você considera política? O Spazz é uma banda política??
SPAZZ nunca foi uma banda política, e nossas letras atualmente estão mais sérias no “Crush” do que antes. Eu tenho minhas próprias convicções políticas.

Danliftingbanner, vocês acham que discursos políticos de uma banda em shows são perda de tempo?? O que fala esta letra?
Eu não me lembro do que se trata a letra... Eu acho que é uma canção anti-emo.

Falando de letras, quando você escuta uma banda você se preocupa em ler as letras dela? Muitas bandas consideradas power violence, escolhem um caminho onde as letras não têm compromisso político, o que podemos chamar de “for fun”, isso para mim não é um problema, o que temo é que isto faça originar bandas que além de descompromissadas passem a ser desrespeitosas, racistas, xenofóbicas e sexistas. O que você acha deste tipo de preconceito no hardcore? Você conhece alguma banda preconceituosa que se considere power violence?? Você lançaria uma banda deste tipo??
Bem, eu acho que o primeiro princípio do punk é faca você mesmo... E muitas bandas perderam esse espirito. Mas também, porque escrevem músicas que simplificam os fatos sociais. Você se sente mais burro do que com raiva. "Meat is murder".... Eu sou vegan, mas essa é a mais estúpida frase. Ainda que os punks resgatem o passado político e levantem uma "bandeira" mais adequada para a sua banda é menos provável do que termos uma discussão política. Ate lá as bandas continuarão tocando "smash the state" e "racism sucks".

Algumas pessoas falam sobre “colonialismo no HC” isto é como bandas dos EUA e pessoas que rejeitam bandas que cantam em outras línguas, e não têm um intercâmbio, não fazem trocas, etc... outro dia destes SHELTER esteve em tour, e muitas pessoas odeiam isto, porque os caras apenas querem dinheiro e “turismo sexual” e não querem nem saber de intercâmbio, trocar material, saber sobre novas bandas e coisas daqui, poderia falar um pouco sobre isso? Dê sua opinião.
Bem, quem disse que o SHELTER é punk? (N. do E.: ahahahhaha) Eles estão na Victory... fodam-se. Eles são ridículos de qualquer forma. Mas até mesmo os punks FVM (DIY) costumam dizer "cara, nós fomos tocar nesse país do Terceiro Mundo”, é mais uma forma de imperialismo...Imperialismo cultural. Espero que um dia bandas como o Discarga e o Newspeak possam fazer uma turnê aqui nos EUA.

“Macho man Savage, King de la Roca” o que é isso??
Nós estamos ficando burros. (N. do E.: continuo sem saber o sentido disso.)

Plutocracy, What Happens Next?, Anciente Chinese Secret, Stikky, Capitalist Casualties, são as bandas que eu sei que contam com membros do Spazz, além destas existem outros projetos? Poderiam me falar mais destas e de outras bandas de vocês. Como vocês conseguem tempo para tocar em tantas bandas??
Eu toco em cinco , e tem mais uma só no projeto. Isso é a minha vida, mas sou mais fã do que membro de banda. Eu adoro ver bandas e cantar junto é bem melhor do que tocar.

Quem é Bob Dee??
"Bobby dee" era sobre um garoto que estava em uma loja de discos e entrou numa briga para apenas tentar ser gentil com um vendedor de uma outra loja. Dan, viu tudo acontecer, e acabou que Bobby Dee foi assassinado sem nenhuma causa aparente.

“4 Times a Day” fala do sofrimento e liberação de animais. Qual a posição de vocês sobre liberação animal?
Bem, eu sou vegan, mas eu também acho que o movimento pela liberação animal e às vezes estúpido. Os slogans que as pessoas usam para convencer outras de suas idéias são retardadas.

Quais as suas bandas favoritas mais novas?
DISCARGA, RAZORS EDGE, JELLYROLL ROCKHEADS, LIFES HALT, há nomes demais para citar.

Fale-me sobre sua cena local, banda, zines, casas de shows e figuras excêntricas da cena.
É realmente bom na SF Bay Area (São Francisco), algumas bandas legais, muitas turnês, algumas casas de shows. Eu espero que tenhamos uma loja de discos F.V.M. aqui, pois não há lugar para comprar discos.

Você conhece alguma coisa do Brasil? Alguma banda/zine/gravadora? O que você acha de lançar uma banda brasileira por sua gravadora?
DISCARGA manda.

Em “Raging Hate, Fear, and Flower Power Violence” vocês dizem: “Hippie extermination, Emo flatulation, Hirax fascination, Pitchuli condemnation”. O que fala essa letra??
Anti hippie, anti-emo, hirax worship.

Quando nós poderemos ver Spazz ao vivo no Brasil?? (Que merda!!! A banda acabou!!!!)
Bem, por mim estaríamos aí amanhã. Fale com os outros caras e então estaremos aí. WxHxNx irá tocar aí ano que vem. Uma turnê foda com o Discarga!!!!

O que você acha do fanatismo de certas pessoas que oferecem altos preços por material raro de algumas bandas? O Spazz possui “fãs” deste tipo? Existe algum disco do Spazz que é super valorizado? Você também é um fanático capaz de pagar altos preços por um disco?
Eu odeio a eBay, ela tem quebrado as vendas de discos, os garotos europeus estão pagando caro por discos americanos de hc antigos, isso é estúpido. Eu odeio isso. E eu sei que tem garotos pagando muito caro pelos CDs do Spazz, eu desejava que isso não fosse assim...

sábado, 20 de setembro de 2008

Uma parte zine - Relembrando parte 1.

Fui olhar meus backups e encontrei as pastas com os últimos números do meu zine (Uma parte), nem me atrevi a ler algo para não em deparar com algo que possa achar engraçado ler hoje e que tirasse minha empolgação de republicar isso. Fiz um CTRL + C & CTRL + V e vou colocando aos poucos por aqui. A Mila já havia me sugerido publicar as coisas que escrevi por aí. As que contribui em sites foram perdidas em um HD, mas os mais antigos estão aqui.

Dedico àqueles que acompanhavam este meu zine e também àqueles que conheci através dele.

Antes de ler, considere o contexto da época, empolgação juvenil, entre outras coisas. :)

Para começar RUSSIAN SCHOOL OF BALLET.

Entrevista com RUSSIAN SCHOOL OF BALLET, publicada no UMA PARTE ZINE #4 - 2001.
Perguntas por Mozine e Allan.


Vocês estiveram tocando em alguns estados, há poucos meses atrás, conhecendo novos lugares, novas pessoas, revendo velhas amizades. Gostaria que falassem como foi, sobre o intercâmbio, os shows, etc.
Tocha – Bem, eu posso dizer que pessoalmente foi a melhor experiência que eu já tive em todos esses anos tocando em bandas. Nós ficamos viajando de carro pelo Brasil por duas semanas e tocamos cinco shows em lugares diferentes. Foi muito importante para nós perceber o quão solidárias as pessoas foram conosco em cada parada. Nós ganhamos casa e comida de muitas pessoas que víamos pela primeira vez. Todas as coisas que aconteceram me fizeram desenvolver um grande senso de comunidade punk, que as vezes fica meio confuso em minha cabeça no meio de tanta confusão que é o ‘punk’ hoje em dia. É impossível descrever aqui todas as experiências que tivemos no caminho, mas com certeza todos os shows foram muito bons e nós nos divertimos muito. E, como nós dizíamos em todo show, essa experiência é muito importante para mostrar as pessoas que as coisas podem ser feitas. Qualquer pessoa pode pegar sua banda e com alguns contatos, tempo livre e um pouco de esforço sair por aí fazendo shows. É só uma questão de um pouco de organização (nós que não somos nem um pouco peritos nesse quesito conseguimos, então qualquer um consegue).
O Resto – O Tocha disse tudo. E longa vida à estrada.

“De onde isso veio? Para quem meu dinheiro vai? Eu realmente preciso disso?” São questionamentos importantes e muito válidos, mas você não acha que a pessoa pode chegar a um ponto em que ela começa a se ver “cercada”? Até que ponto esta preocupação (estes questionamentos) podem ser adicionados ao cotidiano sem prejudicá-la, sem “cercá-la”?
WE – Ninguém nunca disse que seria fácil meu caro... Quando isso foi escrito no encarte do nosso cd, não era para expressar algo que nós gostaríamos que as pessoas fizessem. Era mais uma expressão da nossa angústia porque é assim que nós nos sentimos cada vez que eu gastamos dinheiro em algo. Certamente seria mais confortável simplesmente ignorar tudo isso e ir sair por aí gastando dinheiro no que der na telha. Mas se torna mais complicado dado o momento da nossas vidas em que nos encontramos, no qual isso já não é mais possível. E, ao contrário do que é colocado na pergunta, é muito mais fácil alguém se sentir “cercado” não por esses questionamentos, mas pelo seu inverso, a eterna imposição de sempre comprar mais e mais. É realmente angustiante quando percebemos que as pessoas ou não sabem, ou não se importam com o que estão engolindo, vestindo, consumindo desde que isso lhes seja mais cômodo, ou ainda, lhe traga um maior status social. Quantas vezes no seu dia a dia você não foi coagido a usar aqueles maravilhosos modelitos da Zapping, ou se sentiu estranho porque você não come aquele saborosíssimo chocolate importado. Você encontrou abrigo para tudo isso no hardcore? Hhmmm mas onde estão os seus DC Shoes que o deixarão muito mais estiloso, e como você ainda consegue viver se você ainda não comeu aquele outro saborosíssimo chocolate importado (dessa vez em sua versão vegan)?
Dentro da lógica capitalista, gastar dinheiro é uma certa espécie de exercício de poder. Se é imposto para você dentro da sociedade o papel de mero consumidor de produtos, eu acho que nós devíamos ao menos tentar consumir apenas as coisas de que realmente precisamos, e que realmente apoiamos.
E, de qualquer forma, se o pequeno pulha que não se importa com como as grandes corporações estão fodendo com os seres humanos iguais a ele (mas de certa forma muito melhores) continuar falando que se importa, e usando isso como um apoio para sustentar sua consciência depravada, não se preocupem, nós continuaremos usando nossa arte autodestrutiva para desbancar suas mascaras, como no caso do jacaré perseguindo o neo-hardecoreano modelito ultra-novo.

Sua empregada escuta hardcore e fala sobre revolução, e aí?
WE – Esse é outro tópico importante, as pessoas dentro do hardcore costumam precisar da ilusão de que estão participando de algo revolucionário. Entretanto nos parece que, ao menos no Brasil, hardcore não passa de diversão para nós garotos brancos de classe média. Existe uma grande ‘romantização’ da ‘revolução’, que no fim das contas a torna um simples paliativo para que você consiga dormir tranqüilo, antes que a idade de deixar tudo para trás chegue e você arrume um emprego e uma família. As pessoas ficam falando sobre uma revolução (que nunca chega) e divulgando suas idéias ‘revolucionárias’ quase que como uma imposição do seu papel de ‘hardecoreano’. Assim elas podem se sentir ativas dentro da ‘cena’ e manter seu status de roqueiros rebeldes ‘politicais’. Porém tudo isso costuma ter muito pouca relevância dentro da individualista vida cotidiana das pessoas. Por serem garotos brancos de classe média, elas apenas continuam cumprindo seu papel de garotos brancos de classe média dentro do estabilishment. E se sentindo mensageiros de uma elite cultural que tenta alertar a massa que, como zilhões de letras de hardcore costumam dizer, se recusa a “abrir os olhos”. E se você é um garoto hardecoreano branco de classe média rodeado de apenas garotos brancos hardecoreanos de classe média as vezes fica difícil superar a condição estagnada e seguir adiante, portanto consideramos importante continuar jogando um pouco de merda na cara das pessoas. Inclusive na nossa.
Aproveitaremos esse momento para jogar na roda um outro tópico importante para nossos olhos. Porque as pessoas tem tanto medo de se auto-denominar “PUNKS” em nosso meio, e apenas se referem a ele como “meio hardcore”. Com mil diabos! Somos todos punks! Desde o início, quando éramos garotos que ouvíamos punk rock hardcore tosco e/ou melódico e estávamos acabando de montar nossas primeiras bandas com nossos vizinhos. Vamos retomar as ruas e retomar o punk, porque é o que somos no final. E além de tudo, “hardcoreano” é um termo horrível.

O que você tem a dizer sobre os zines nacionais, o que você destaca, e coisas que têm se tornado massantes?
WE – Fora algumas exceções, os zines têm realmente se tornado chatos, e parecem muito mais, como eu já disse na questão anterior, ser um veículo para manter tranqüila a consciência do nosso amigo roqueiro. Porém os zines são umas das mais importantes e fortes formas de expressão da comunidade punk, e não nos sentiríamos bem repreendendo ninguém por fazer algo tão positivo. Mesmo que este acabe por muitas vezes sendo muito inocente, ele ainda é uma maneira de divulgar suas idéias de maneira não corporativa. E, é importante lembrar que muita coisa que hoje em dia não tenhamos paciência de ler, isso foi durante muito tempo muito importante para nós.
Bom, existe o sério problema de consumo também. Durante nossas andanças verificamos que muito mais garotas comprando zines em comparação com os garotos (apenas um dado estatístico, mas...). As garotas aparentemente tem essa tendência de ir mais fundo em certos momentos. E isso quando alguém consome zines. De alguma maneira alguém conseguiu criar uma teoria de “não paga para o cara que tá tentando passá os ideal dele, porque se ele qué passá os ideal ele tem que passá de graça, o cuzão”, mas esses são apenas poucos e insanos. A grande maioria dos punks de hoje simplesmente acha que sabe demais e que não tem mais nada a aprender, nem nada interessante pra ser lido. Estes, ainda que sabendo conscientemente que a “indústria” zineira punk serve como imprensa independente, coluna social, arquivista do momento musical, levantadora de questões polêmicas, entre outras funções, de toda uma contracultura, tende a, inconscientemente ignorar tudo isso e levantar o nariz para o alto.
Decididamente precisamos de zines mais grossos, mais substanciosos, mais polêmicos, mais irônicos, mais sarcásticos, com maior tiragem e maior regularidade, e sem dúvida em maior quantidade.

Quem é mais punk? um garoto feliz que comprou uma camisa do Green Day e vai dançar num show de punk rock sexta-feira a noite ou vocês?
WE – Nesse caso a questão que você propõe me parece muito mais de semântica do que de discussões sobre o que é o não punk. Os códigos que nós usamos para nos designar punks são diversos dos códigos que o garoto feliz da questão utiliza para se designar punk. Portanto não se trata de quem é mais ou menos algo, tendo em vista que estamos lidando com coisas diferentes. Só para dar um exemplo simples, se você diz que você é roqueiro, o que de certa forma nós todos somos, isso não significa que você gosta do Barão Vermelho e sai por aí cantando Bete Balanço.
E nós também vestimos as camisetas dos nossos “greendays” e dançamos nos shows de punk rock de sexta-feira à noite, se vocês querem saber. Nós somente não somos mais felizes.

Como pode um jovem gostar de ManLiftingBanner e ao mesmo tempo amar outras bandas, digamos assim, "hc fast - power violence as fuck", como por exemplo o Spazz com a letras como "DanLiftningBanner"? Você acha que existem certas pessoas/bandas com "status" de fazer o que quiserem e serem aceitas, enquanto outras façam o que fizer, serão boicotadas?
WE – É óbvio que isso existe, veja o Mozine, por exemplo, ele pode ter uma banda horrível como “Os Pedreiro” e ainda assim vender muitíssimas de suas demos graças aos seu status adquirido na cena (Direito de resposta, conforme Lei 666, Pá, Pow: Mozine: é verdade! E aguardem para 2001 o espetacular cd split OS PEDRERO/RUSSIAN SCHOOL OF BALLET, uma fusão feroz e alucinante de estilos. info: mozine@escelsa.com.br). Nós próprios temos nossos projetos para um futuro extremamente próximo. Quem saberá em quem confiar de verdade hoje em dia? Muito do “status” do punk é baseado em quanto as pessoas conhecem pessoalmente umas das outras e de suas intenções e na maneira como rumores e opiniões pessoais voam através de bytes ou do correio ou de telefonemas. Bom, isso se tratando de punk nacional. O punk lá de fora é complicado de se julgar e sinceramente... não ligamos a mínima.

O que acha do hc fast por hc fast? Tocar rápido por tocar?
WE - Bleh... Não gostamos da pergunta. Nos recusamos a responder.

O Russian School tem letras impressionantes, que me agradam muito. O que vocês acham que essas letras de vocês vão mudar no mundo ou na sociedade? Você acredita q uma pessoa de fora de cena (use a palavra que quiser, cena, circuito, cenário, movimento) hardcore, teria como entender uma musica de vocês?
WE – De certa forma, vemos as letras (e todo o resto de expressão artística que produzimos com a banda, etc) não tanto como uma maneira de mudar o mundo, mas muito mais como uma necessidade de por pra fora o que precisamos desesperadamente por pra fora. De certa forma é como poesia. E é muito como música tradicional. A música punk é música da cultura punk, assim como música flamenca é música da cultura de determinada parte da Espanha; mas isso não quer dizer que um espanhol não punk não possa gostar de música punk, só deus sabe o gosto dos espanhóis. Acreditamos que qualquer um tem o potencial de entender nossa “arte”, sendo ela “arte”.
Mas, tocando no assunto de “mudança do mundo” e punk rock, achamos que o punk não é tanto uma força revolucionária quanto um meio, uma contracultura, dentro do qual idéias revolucionárias vão encontrar terra fértil pra crescerem e irem em frente, e dessa forma gerar revolução. Com mil demônios, ninguém pode dizer que o punk nunca mudou nem vai mudar o mundo com todas essas manifestações acontecendo em todo lugar com a freqüência que estão acontecendo. Nada disso seria possível sem a fertilidade do meio contracultural que o Punk representa.

Comente sobre a política de distribuição/preços/venda/divulgação da L-Dopa. Vocês acreditam que poderiam ser um selo auto sustentável e um dia poder largar ternos e gravatas, e viver de lançar cds/zines/livros/discos?
WE – Bom... Com certeza nós pretendemos nos desvencilhar do aparato corporativo e seguir em frente vivendo da anti-arte punk. Mas o futuro, quem dirá? Queremos acreditar que poderemos mas realmente não ligamos a mínima se vamos ou não conseguir nos manter.
Quanto a política de distribuição/venda/divulgação/preços do material do coletivo L-dopa, tentamos fazer tudo o mais barato possível, e deixamos quem quiser distribuir distribuir, desde que distribua barato, ou então pelo menos pague adiantado. Quanto a distribuição de material alheio, cada caso é um caso e preferimos tratar isso pessoalmente, nosso contato vai aparecer em algum lugar nas paginas dessa entrevista, então fique atento.

O que os motiva a lançar uma banda, e acreditar no trabalho a ser lançado. Tipo, o Russian School of Ballet é uma banda nova, que nunca lançou nada e vocês se esforçaram para lançar em CD, mesmo sabendo que era um risco, que o CD poderia “encalhar”. Aproveite e fale sobre os projetos do selo e da banda.
WE – A gente preferiu lançar um cd em vez de uma “demo” pela funcionalidade. Maior qualidade, preço baixo (no longo prazo), e mais espaço pra arte. Achamos que ninguém precisa “ficar conhecido” pra lançar um disco. Se não tentássemos nunca iríamos conseguir. Então vão em frente garotos e façam vocês mesmos.
Quanto a projetos paralelos e lançamentos, a L-dopa pretende lançar num futuro muito próximo as gravações póstumas do Libertinagem e do WhiteChristianDisaster, e tem segredos que são inimagináveis, mas só o tempo dirá se tudo vai dar certo; Nils tem o Projeto Burguês de Felicidade; Mário tem o Kubark; Tocha e Lucas tem o The Evil Idols; e o Sandro vai ter um filho no fim do ano.